sábado, 16 de fevereiro de 2013

Os Cinco Pontos Bíblicos do Calvinismo


“Para que nos livrarmos da predestinação teremos de manifestar disposição de rebaixar nosso DEUS a um deus.” (Benjamin B. Warfield).
1º. Depravação Total do Ser Humano (A herança adâmica). Doutrina da total incapacidade moral do homem como resultado da queda. Sl 51:5; Is 1:6; Rm 3:10-11; 5:12-14; 7:14-19; 1 Co 2:14; Jo 8:43-44. “Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23; 5:12). Todos foram feitos réus convictos perante o tribunal de Deus. Ninguém, quer judeu, quer grego, pode reclamar qualquer direito à Sua misericórdia. Se houver esperança para alguém, esta tem de depender exclusivamente da graça de Deus.
2º. Eleição Incondicional. É a idéias de uma predestinação que está enraizada nos decretos sapientíssimo da soberania de Deus desde toda a eternidade na qual o número dos eleitos é fixo.  Sl 119:18; Mc 4:12 com Rm 11:7-10. “A Palavra de Deus mostra quão profunda é a debilidade, ou melhor, a abtusidade da mente humana, ao afirmar ser ela incapaz de [inerentemente] possui discernimento espiritual (Calvino). É o “espírito de entorpecimento”. ‘torpor’: ausência de respostas a estímulos comuns. Indiferença ou inércia moral. É o  estado característico de Efésios 2:1, ‘morto’. – para uma pessoas crer, Deus precisa abri seu coração. At 28:23-28; [At 13:48; 16:14] Precisamos estar plenamente conscientes de que não podemos extrair qualquer proveito da Escritura se o Espírito de Deus não nos acompanhar em nossa leitura e meditação. A Bíblia pode ser interpretada e entendida até mesmo por um incrédulo ateu. Deus se acomodou a linguagem humana, é por isso que um descrente pode entender a mensagem de salvação; pode entender que a Bíblia ensina sobre um Deus soberano que enviou seu Filho para morrer e ressuscitar por todos aqueles a quem ele escolheu antes dos tempos eternos; o único problema é, mesmo entendendo tudo isso, o incrédulo não pode crer, ou não aceitar esses ensinamento. Ou seja: Um incrédulo pode ler a Bíblia quantas vezes for possível, ele jamais terá uma atitude de contrição, adoração e culto. Sua mente jamais ficara cativa a vontade de Deus.Mas pelo contrário: O pecador não regenerado é uma pessoa escravizada a desejos grosseiros. Calvino compara este estado com o homem animal e o espiritual: “Uma vez que o espiritual denota o homem cujo entendimento é regulado pela iluminação do Espírito de Deus, não pode haver dúvida de que o animal significa o homem que é deixado, por assim dizer, simplesmente numa condição natural [in puris naturalibus]. Pois a alma [anima] pertence à natureza, mas o Espírito vem de uma comunicação supernatural [ex dono supernaturali]. Para uma pessoa ser salva (conf. Mc 4:12), Deus precisa querer [se observamos o texto com cuidado, Jesus não parecia interessado na salvação deles]. Em segundo lugar, é essencial, indispensável que o Espírito Santo ilumine os nossos olhos e abra nossos corações para que entendamos e creiamos. João Calvino declara que “a Palavra de Deus é uma espécie de sabedoria oculta, cuja profundidade a frágil mente humana não pode alcançar. Assim, a luz bilhar nas trevas, até que o Espírito abra os olhos ao cego... só quando Deus irradia em nós a luz de seu Espírito é que a Palavra logra produzir algum efeito”.
Ainda comentando 1ª Coríntios 2:12 ele diz: “A palavra conhecer é usadas, a fim de externar mais plenamente a convicção da confiança. Não obstante, notemos bem que AA mesma não é obtida por vias naturais, nem é assimilada por nossa capacidade mental de compreensão, senão que depende completamente de revelação do Espírito”. “Rm 9:16; Fp 2:13; Jo 6:37,39; 6:65; 15:15…
3º. Expiação Limitada. O que é isso? (A pergunta inteligente é: Por quem Cristo morreu?). É a idéia de que a expiação de Cristo foi designada pelo Pai como único meio pelo qual ele levaria seus eleitos à salvação.Para entendermos por que é limitada, precisamos compreender o que é expiação. A expiação foi a obra substitutiva de Cristo na cruz em nosso favor e em nosso lugar. Cristo salva a todos sem acepção, mas não a todos sem exceção. A doutrina do universalismo, que todos, sem exceção, serão salvos não tem amparo nas Escrituras. Cristo não morreu para possibilitar a nossa salvação; ele morreu como nosso substituto, para efetivar a nossa salvação. Cristo morreu pela sua igreja (Ef 5.25), pelas suas ovelhas (Jo 10.11). Aqueles são escolhidos, são chamados e justificados no sangue de Cristo e todos aqueles que são justificados, nos decretos de Deus, já estão glorificados (Rm 8.30). A morte de Cristo, portanto, foi substitutiva. Ele pagou a nossa dívida. Ele carregou em seu corpo nossos pecados sobre o madeiro. Nossas transgressões foram lançadas sobre ele. Ele morreu pelos nossos pecados ao se fazer pecado por nós. Ele satisfez completamente as demandas da lei em nosso lugar. Agora, estamos quites com a justiça de Deus e com a lei de Deus. Por isso, não pesa mais nenhuma condenação sobre aqueles que estão em Cristo Jesus. Oh, bendita salvação!” (Hernandes Dias Lopes).
1 Pedro 2:9; Ef 5:25; 1:4-5; João 10:15;10:25; Jonas 2:9c. Ø A conversão composta de arrependimento e fé é um dom de Deus. O arrependimento é algo concedido (At 11:18). De quem é a fé? Ef 2:8,9; Ts 3:2; Tt 1:1.
4º. Graça Irresistível. O que é isso? É a doutrina teológica do chamado eficaz, ou seja, quando o Espírito Santo chama as pessoas e efetua a regeneração, essa obra da graça divina é tão poderosa que nenhuma resistência humana pode superar. “O mesmo Deus que elege, também chama seus eleitos. Há dois chamados: um externo e outro interno. Há um chamado dirigido aos ouvidos e outro ao coração, um chamado geral e outro específico. Muitos são chamados, mas poucos escolhidos. As ovelhas de Cristo ouvem sua voz e o seguem. Jesus disse: Ninguém pode vir a mim se o Pai não o trouxer. A fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Cristo. Esse chamado pode ser resistido temporariamente, mas não finalmente, pois a Escritura diz: "Aos que Deus predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou". (Hernandes Dias Lopes).
Continuando o exame das Escrituras: Jr  31:3; Jo 6:44; Ef 2:2-5; At 16:14;
5º. Perseverança dos Santos. O que é isso? É a posição teológica sustentada na Palavra de Deus da eterna segurança que afirma que, uma vez que está num estado de graça, a pessoa permanecerá nesse estado para sempre. Aqueles que foram escolhidos por Deus na eternidade, chamados por Deus na história, justificados pelo sangue de Cristo e selados com o Espírito Santo da promessa têm a garantia da vida eterna. Jesus dá às suas ovelhas a vida eterna. Essas ovelhas estão seguras em seus braços e ninguém as arrebatará das suas mãos. Aquele que começou a fazer a boa obra em nós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus. Na verdade, nada neste mundo nem no porvir pode separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus. O mesmo Deus que nos dá a salvação nos assegura a salvação. Podemos tomar posse da vida eterna e ter a certeza da vida eterna, pois Deus Pai nos escolheu, Deus Filho nos remiu e o Deus Espírito Santo nos regenerou e nos selou para o dia da redenção. Glória ao Deus Triúno por tão grande salvação! (Hernandes Dias Lopes).
Fp 1:6; Jo 10:28; 10:18; 2 Tm 1:12; Rm 8:31-39; Hb 13:5b; Is 49:15; 43:2; 46:4; Jo 6:51; 4:14.
Rev. Misael Ferreira de Oliveira

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

MODELO MACEDÔNIO – II


Programa de Administração Missionária
“A serviço dos santos pobres” (Rm 15:25,26)


“recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres; o que também procurei fazer com diligência” (Gl 2:10).
“Mas, agora, estou de partida para Jerusalém, a serviço dos santos. Porque aprouve à Macedônia e à Acaia levantar uma coleta em benefício dos pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém.” 
(Romanos 15:25-26).
“Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, eu me levantarei agora, diz o SENHOR; e porei a salvo a quem por isso suspira” (Salmo 12:5).
“Acaso não é este o jejum que escolhi? que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo? e que deixes ir livres os oprimidos, e despedaces todo jugo?  Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desamparados? que vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?  Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti; e a glória do Senhor será a tua retaguarda”. (Isaías 58:6-8).
O MODELO MACEDÔNIO para a missão integral da igreja juntando ortodoxia e ortopraxia tem suas raízes aprofundadas nos Sagrados Escritos do Antigo Testamento (Sl 12:5;Is 58:5-10 Ne 1), no ministério terreno de Jesus (Lc 4:18; 6:38), nas atividades diárias da Igreja Primitiva (At 2:42-46; 4:32-34), com o seu apogeu na teologia e ministério do apóstolo Paulo (2 Co 8:3-5; 9:6-11; Gl 2:10; Fp 4:10-19;1 Tm 6:6,17-19) exarados nos Sagrados Escritos do Novo Testamento. “As advertências de Paulo baseiam-se no pressuposto de que um mundo de grande desigualdade material é um mundo que é dominado por falsos deuses, por fontes vazias de segurança (1ª Tm 6:7,17). Se os ricos observassem o seu ensino, eles deixariam de ser ricos, e os pobres deixariam de ser pobres” (V. Ramachandra – A Falência dos deuses, p, 63).
 Por volta de 700 a.C. Isaías já trazia temas sobre injustiças sociais, roubos e perjuro dos mais ricos contra os pobres que hoje nos são tão familiares, especialmente por vivermos na América Latina, onde a desigualdade social e problemas vinculados à pobreza são tão conhecidos. O profeta insistia nesse tema desde o inicio de seu ministério (Is 1:17,23; 3:5; 5:1-30 – Os dias de Isaias são semelhantes aos nossos, onde os defensores dos pobres não deveriam mais ser encontrados na cidade). A diferença dos dias atuais, é que outros profetas se uniram ao mesmo lamento e imprecações contra os pecados cometidos contra o próximo (Os 6:4-6; Am 5:23-24; Mq 6:6-8). Se tem um efeito que Deus espera na conduta cristão diária é uma sensibilidade maior para com os pobres. O culto que agrada a Deus tem sua base em Isaías 58 e Mateus 25:31-46.
 Por quase todo o transcurso da história, os grandes pensadores e pregadores da Igreja Cristã têm afirmado os direitos econômicos dos pobres: Ambrósio, João Crisóstomo, Basílio de Cesaréia e muitos outros grandes vultos da história, não apenas trouxeram à lembrança a relativa “boa ação” do dever da caridade para com os pobres, mas também insistiram no direito de acesso, pelo pobre, a adequados meios de sustento.
 A história nos fala de Santo Agostinho - bispo de Hipona: Ele vive em comunidade, tentando seguir o ideal das primeiras comunidades cristãs, na pobreza e na partilha. A comunidade eclesial de Hipona estava formada em sua grande maioria por pobres. Agostinho se fazia a voz destes pobres, falando por eles na Igreja, indo até as autoridades para interceder por eles e ajudando-os naquilo que podia. Entre as funções que o bispo tinha estava a de administrar os bens da Igreja e repartir o seu benefício entre os pobres, também a de acolher os peregrinos, ser protetor dos órfãos e viúvas... Agostinho realiza todas elas como um serviço aos pobres e à Igreja”.
"O pão que você guarda consigo pertence ao faminto; o agasalho que você deixa dentro do seu armário, ao desnudado; os sapatos que você possui e que estão apodrecendo, ao que está descalço; o ouro que você tem muito bem guardado, ao necessitado. Portanto, todas as vezes que você teve condições de ajudar alguém, e recusou-se a isso, você então lhes fez um mal" (Vinoth Ramachandra sitando o grande pai da Capadócia, Basílio da Cesaréia em: “A Falência dos deuses” p. 64 - ABU editora. - Ver também: Patrística: Homilia sobre Lucas 12:16-21).
 Os reformadores do séc. XVI não se esquivaram desde ministério. Em muitas oportunidades, João Calvino condenou severamente a ganância e a insensibilidade dos ricos, porque ele estava preocupado com que as dádivas de Deus fossem usadas para o benefício de toda a comunidade do povo de Deus. Graham argumenta que não foi ao ascetismo que Calvino conclamou os ricos de Genebra, mas à regra do amor: “De fato, se existe um tema central no pensamento social e econômico de Calvino, é que a riqueza vem de Deus a fim de ser utilizada para auxiliar os nossos irmãos”. Um dos textos que João Calvino utiliza mais frequentemente nos seus escritos e ensinos é o apelo de Isaías ao homem rico de Israel: “… e não te escondas do teu semelhante” (58:7), que ele interpreta como uma referência ao “teu pobre”. Em outro sermão, ele pondera: “Deus mistura os ricos e os pobres para que eles possam encontrar-se e ter comunhão uns com os outros, de modo que os pobres recebam e os ricos repartam”. Os pobres são irmãos e devem ser tratados como tais. Graham pondera: “Não existe uma beneficência fria no plano calvinista; a beneficência deve ser praticada com compaixão”. A contribuição não deve ser uma expressão de legalismo, mas de espontaneidade e liberalidade (2 Co 9:7).
O que está acontecendo com a gente?  O que está acontecendo com a Igreja nos últimos dias? Por que deliberadamente se afastou tanto dessa missão? Assumindo uma conduta tão contrária a do próprio Senhor Jesus (Mt 25:31-46; Lc 4:18; At 10:38). Por que os pobres não despertam mais nenhum interesse para a igreja? “... essa gente tão igual a nós está só porque passamos longe demais!” (G. Logos). A razão pode ser sintomática e diagnosticada nas palavras do Pr. Carlos Queiroz: “A falta de pão na mesa do pobre pode ser uma denuncia da falta de espiritualidade no altar dos cristãos... tem havido muita contradição entre a mesa do pobre e o altar suntuoso dos cristão – a falta de pão na primeira pode ser uma denúncia da ausência da espiritualidade no segundo”.
Rev. Misael Ferreira de Oliveira.